O resultado preliminar da primeira fase do 47º Exame saiu no dia 23 de setembro. Se você não passou, a semana que começou depois disso costuma ter um roteiro conhecido: conferir o gabarito de novo, procurar quem passou para entender o que fez diferente, calcular quantos pontos faltaram e adiar qualquer decisão para quando a poeira baixar.
Só que tem um prazo correndo enquanto a poeira baixa, e quase ninguém está falando dele.
Se você está esperando recurso, faça isto antes das 17h de 5 de outubro
As solicitações de inscrição no 48º Exame vão até as 17h de 5 de outubro. O resultado definitivo da primeira fase do 47º, aquele que sai depois do julgamento dos recursos, está previsto para o mesmo dia 5.
Se você parar por aí, a conclusão é que precisa apostar R$ 350 sem saber o resultado. O edital diz outra coisa, e vale ler com atenção.
A solicitação de inscrição e o pagamento da taxa são dois atos separados, com prazos separados. A solicitação fecha em 5 de outubro. O boleto pode ser reimpresso e pago até as 17h de 4 de dezembro, e a inscrição só é homologada depois do pagamento. Está nos itens 2.1.2 e 2.1.2.1 do edital de abertura do 48º Exame.
Na prática, isso significa que você pode fazer a solicitação agora, sem gastar nada, e decidir sobre o pagamento quando tiver a informação que ainda não tem. Se o recurso for aceito e você passar no 47º, é só não pagar. Se não for, você paga e segue para o 48º sem ter perdido um ciclo inteiro.
Então o conselho é direto: não espere o resultado para se inscrever. Inscreva-se antes das 17h de 5 de outubro e deixe a decisão de pagar para depois. O que fecha no dia 5 é a porta, e ela não cobra nada para continuar aberta.
Confira as datas no edital antes de agir, porque prazo de edital muda e o que vale é o texto oficial.
O que o exame mede e o que ele não mede
Resolvido o prazo, dá para falar da parte que machuca.
O Exame de Ordem é requisito para a inscrição na OAB, e a inscrição é o que autoriza alguém a advogar. Como filtro de acesso, ele funciona.
O que ele mede é específico: um recorte de conhecimento jurídico e a sua capacidade de demonstrar esse recorte naquele formato, naquele dia, dentro daquele tempo. É uma habilidade real e tem valor.
A lista do que ele não mede é mais longa. Ele não mede inteligência, vocação, julgamento profissional, capacidade de conduzir uma negociação difícil, de ganhar a confiança de um cliente, de liderar uma equipe ou de construir uma carreira. Nada disso cai em nenhuma questão.
A confusão entre as duas listas é o que paralisa. Quem se entende como reprovado numa prova se inscreve de novo e continua trabalhando. Quem se entende como reprovado na profissão some por meses.
Se você passou na primeira fase: o que fazer com três semanas
A segunda fase é em 18 de outubro. São três semanas, e a maior parte delas vai para o estudo da peça e das questões da área que você escolheu. Isso está certo e não é sobre isso que eu tenho algo a dizer.
O que costuma passar batido é a escolha da área. Muita gente escolhe pela facilidade percebida da prova, ouvindo dizer que tal área cai mais fácil ou tem peça mais previsível. É um critério razoável para passar e um critério ruim para depois.
A área escolhida na segunda fase pode aparecer nas suas primeiras conversas profissionais, porque é a que você acabou de estudar com maior profundidade. Ela não define a sua carreira, e também não é neutra.
Se as duas coisas coincidirem, ótimo. Se não coincidirem, escolha a que te aprova e saiba que vai precisar construir a outra depois, de propósito.
O trabalho que conta antes da carteira
Sem inscrição na OAB você não pode postular em juízo, assinar petição nem se apresentar como advogado. São atos privativos, e a regra existe por um motivo.
O que sobra é bem mais do que parece. Há funções em departamentos jurídicos, escritórios, empresas e órgãos públicos que aproveitam a formação em Direito sem envolver atos privativos da advocacia. Pesquisa e apoio técnico dentro de um escritório, com a assinatura ficando com quem tem inscrição. Cargos e funções no serviço público que exigem graduação em Direito sem exigir a Ordem. Cada um desses lugares ensina alguma coisa que a prova não ensina.
Vale conferir caso a caso, porque o desenho da função é que diz se ela invade ou não o que é privativo. Um título bonito na vaga não resolve essa dúvida, e é uma pergunta legítima de fazer na entrevista.
Tem ainda a questão do tempo de atividade jurídica, que interessa a quem pensa em concurso. Algumas carreiras exigem anos de atividade jurídica após a graduação, e o que conta como atividade jurídica é mais amplo do que advogar. Se concurso está no seu horizonte, leia agora as regras da carreira que você quer, porque elas podem transformar o trabalho deste ano em contagem útil, ou não.
Esse período também produz uma coisa que ninguém consegue estudar: saber como o trabalho funciona por dentro. Quem chega à primeira vaga de advogado com dois anos de vida dentro de um jurídico chega diferente de quem chega direto da aprovação.
Material gratuito
12 perguntas antes de aceitar sua primeira vaga jurídica
Um roteiro curto para levar à entrevista, e para a conversa que você tem consigo mesmo depois dela. Deixe seu e-mail e o guia abre na hora.
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O custo de colocar a vida em suspenso
A parte mais cara da reprovação quase nunca é a reprovação. É o que a pessoa faz com os meses seguintes.
O padrão se repete. Recusar entrevista porque não dá para começar sem a carteira. Sair dos grupos da turma para não acompanhar quem passou. Adiar a conversa com o professor, o contato com o escritório, o projeto que estava de pé. A vida inteira fica pendurada num resultado, e o resultado leva meses.
No fim desse período a pessoa tem a carteira e meses a menos de história para contar. Quem estudou e trabalhou ao mesmo tempo chega ao mesmo dia com a carteira e com experiência. A diferença entre os dois não apareceu na prova, e vai aparecer em toda entrevista dos próximos cinco anos.
Esperar um resultado é inevitável. Parar de viver enquanto ele não chega é escolha, e é a única parte desta história que depende inteiramente de você.
Se você acabou de se formar e essa dúvida sobre por onde começar veio junto com o resultado, escrevi sobre isso em Me formei em Direito. E agora?. E se o que trava é organizar essas decisões com alguém que já viu esse filme muitas vezes, é disso que trata a minha mentoria para advogados.
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